RÁDIO GOSPEL

              

 

 

 

 

terça-feira, 29 de julho de 2014

Reflexão do dia: Provérbios 17.18

Reflexão de 29 de julho

  
29 de julho
Leitura do dia (para ler a Bíblia inteira em 1 ano): 1Coríntios 14.26-40; 2Reis 9; Jonas 4
Reflexão do dia: Provérbios 17.18
“O homem sem juízo, com um aperto de mãos se compromete e se torna fiador do seu próximo” (Pv 17.18 NVI). 
Certo homem, querendo montar uma empresa de transportes, planejou comprar um ônibus por meio de um financiamento bancário. Como não tinha propriedades em seu nome, precisou de um fiador para que o empréstimo fosse aprovado. Um amigo lhe ajudou nesse sentido, confiando inteiramente que se tratava apenas de uma necessidade burocrática que nunca lhe daria prejuízo. Nos primeiros meses, o empréstimo foi pago corretamente, mas devido a um sério acidente com o ônibus, o fiador passou a ser cobrado pelo banco. Procurando o amigo para ter seu nome limpo no mercado, o devedor afirmou não ter como pagar o empréstimo e disse friamente “não vou tirar da boca para lhe pagar”, ignorando que seu companheiro estava sofrendo sérios prejuízos que lhe afetavam o próprio sustento. O fiador nunca mais se levantou dessa condição financeira desfavorável e toda sua família sofreu muito com isso.
Apesar de a prática do fiador ser muito comum na atualidade, no mundo antigo isso também existia, assim como os problemas decorrentes da falta de cumprimento dos acordos e da ausência de pagamento das dívidas. Por isso, Salomão fala aqui do homem que “se torna fiador do seu próximo”. A mesma palavra traduzida como “próximo” também significa “amigo”. Nesse sentido, o escritor aponta para o ato de alguém se tornar fiador de um amigo por meio de “um aperto de mãos”, ou seja, pela ação de empenhar sua palavra e assumir oficialmente sobre si os possíveis prejuízos causados pelo outro. Essa atitude, à primeira vista, parece ser um ato de verdadeira amizade que merece ser mencionado no estudo do versículo anterior. Mas isso não é verdade. O verdadeiro amigo não abandona seu parceiro quando ele precisa, mas também não assume de modo irresponsável o encargo dos atos alheios, arriscando sua própria segurança e de sua família.
Por isso, Salomão chama quem age assim de “homem sem juízo”. O fato de as pessoas serem imperfeitas deve fazer o sábio avaliar todas as possibilidades e nunca se colocar em uma condição de risco. Deve tentar tirar o amigo de um buraco sem cair ele mesmo em uma cova. Por isso, nenhuma atitude, em especial nessa área, deve ser tomada sem grandes reflexões, sem a consulta das Escrituras e muito menos sem a obediência à Palavra de Deus. A Bíblia e a experiência humana dão provas mais que suficientes de que somente Deus nunca frustra a confiança e as expectativas das pessoas. Portanto, muito cuidado com os compromissos que assume, pois se um não tira da boca para saldar a sua dívida, o outro tem de fazê-lo.
Pr. Thomas Tronco

segunda-feira, 14 de julho de 2014

ÊNFASE ERRADA NA SOBERANIA DE DEUS



Por Augustus Nicodemus
Augustus Nicodemus 
Um dos riscos que reformados correm é enfatizar a soberania de Deus a ponto de esquecer que o próprio Deus estabeleceu e determinou que o mundo funciona na base da lei das causas e efeitos. O mundo natural é regido por leis dentro deste princípío. Da mesma forma o mundo espiritual. Esperar efeitos (resultados) sem que se usem as causas (ações) que os produzem é zombar de Deus, conforme Paulo ensinou aos Gálatas: "De Deus não se zomba: aquilo que o homem semear, isto também ceifará" (Gal 6:7). Quem quer ver sua igreja cheia de convertidos que amam a Deus tem que usar os meios para isto: evangelizar, ensinar, discipular, treinar e orar muito. Quem quer vencer o pecado tem que usar os meios para isto: mortificação, negar a si mesmo, fugir das ocasiões de tentação. Quem quer um casamento feliz tem que praticar o que a Bíblia diz quanto aos papéis do marido e da esposa. Um milagre é quando o próprio Deus faz que os efeitos aconteçam sem o emprego das causas. Somente Ele pode fazer isto. E ele não nos ensina a viver na espera de milagres, mas sim a diariamente usar os meios corretos para se obter os fins desejados.

terça-feira, 8 de julho de 2014

DEZ CARACTERÍSTICAS DE IGREJA FRIA



Um número significativo de cristãos acreditam que uma igreja fria é caracterizada pela ausência do chamado reteté de Jeová.

Nessa perspectiva  ensinam que uma comunidade desaquecida espiritualmente é desprovida de gritos, danças, giro santo, e outras coisas mais.

Há pouco fiquei sabendo de um irmão aque afirmou que uma igreja gelada é aquela que enquanto o pastor prega ninguém grita glória, aleluia ou coisa parecida.

Caro leitor, as definições que alguns entendem quanto ao que seja uma igreja fria é de arrepiar os cabelos. Lamentavelmente parte do povo de Deus tem fundamentado sua percepções doutrinárias em achismos desprovidos de conteúdo bíblico.

Isto posto, resolvi elencar DEZ REAIS características de uma fria:

  1. Uma igreja fria se caracteriza pela relativização do pecado. Geralmente os membros destas comunidades chamam doce de amargo, amargo de doce; luz de escuridade, escuridade de luz. Nessa perspectiva, não vêem problemas no sexo antes do casamento, em defraldar o próximo, em mentir, em promover suborno, fazer fofocas, produzir contendas e muito mais.
  2. Uma Igreja fria é uma igreja que não valoriza a oração. Uma igreja que não ora e não acredita na importância de orações, intercessões e ações de graça é uma igreja desprovida da vida de Deus em suas estruturas.
  3. Uma Igreja fria ama o mundo e as coisas que há no mundo. Nessa perspectiva permitem que os valores deste século prevaleçam sobre aquilo que as Escrituras dizem e ensinam.
  4. Uma igreja fria relativiza as Escrituras. Para ela, a Bíblia não é a Palavra de Deus e em virtude disso colocam aquilo que sentem, acham ou pensam acima das verdades contidas na Bíblia.
  5. Uma igreja fria é desprovida de amor. Para os membros desta comunidade, gente é tratada como coisa e não como pessoas que possuem dores, angústias, problemas e carências.
  6. Uma igreja fria é caracterizada pela ausência de misericórdia em suas estruturas. Nessa perspectiva os órfãos são negligenciados, as viúvas abandonadas e os pobres desprezados.
  7. Uma igreja fria  é uma igreja desprovida de santidade. Para ela, conceitos como "separação  do mundo" são antiquados e ultrapassados.
  8. Uma igreja fria é uma igreja aonde não há relacionamentos profundos entre os irmãos.
  9. Uma igreja fria é uma igreja que valoriza os defeitos e erros dos irmãos em detrimento as virtudes e valores.
  10. Uma igreja fria é uma igreja que há muito perdeu o temor do Senhor.
É o que penso, é o que digo.

Renato vargens

terça-feira, 24 de junho de 2014

A BÍBLIA CONTRA " IDÉIA DOS CRENTES"

 


enfoque

Um dos grandes identificadores dos evangélicos, ou do “povo crente”, como dizem alguns, é a sua apreciação pela Bíblia. Houve até mesmo época quando os conhecidos crentes eram chamados de “bíblias”. No entanto, apesar da tradição que vincula os evangélicos à Bíblia, será que essa realidade é verificável? Surpreendentemente, parece que grande parte da tradição evangélica nada tem a ver com o estudo sério das Escrituras.
Muitas idéias e práticas sagradas e supostamente bíblicas têm outras origens: a cultura norte-americana, brasileira, européia, africana etc. Certa ocasião, fiquei atônito quando tentei compartilhar o Evangelho com um homem numa viagem de ônibus. Ele, ao perceber minha linha de pensamento, perguntou: “Você é crente?”. E prosseguiu: “Mas é crente mesmo?”. Confuso, respondi: “Sim”. E, mais do que depressa, ele disse, com firmeza: “Você bebe café?”. Sem entender, respondi afirmativamente, e, então, esboçando largo sorriso, o homem reverberou: “Então não é! Porque o crente que é crente mesmo, nem café bebe!” Perplexo, fiquei a pensar que tipo de Evangelho se divulga em nossos dias! O cristianismo de alguém é avaliado pelo café ingerido?!
Durante muito tempo envolvido com a área da literatura, principalmente a teológica e acadêmica, posso atestar que o tipo de livro menos procurado pelo mercado evangélico chama-se “comentário bíblico”. Apesar de termos cerca de meio milhão de pastores e líderes no Brasil, parece que a maioria deles não entende que o estudo aprofundado da Bíblia é tarefa urgente e indispensável.
Esse distanciamento das Escrituras, presente no meio evangélico, tem facilitado o surgimento de outras tradições, marcadas por idéias e costumes que levam a comunidade para uma outra direção, para longe de uma teologia fundamentada na Bíblia.
Infelizmente – é verdade –, há muita “idéia de crente” que é contra a Palavra de Deus. Não faz tanto tempo assim, numa comunidade cristã ouvi uma multidão aplaudir a seguinte frase enfatizada por um de seus líderes: “Deus precisa de você”. O discurso prosseguiu sugerindo que Deus nada poderia fazer sem a atuação humana. Que tipo de Deus é esse? Pode ser de algum grupo evangélico! Mas não é bíblico! Afinal, como lemos em Atos 10.25 e 26, Deus, por definição, não precisa de nada: “O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há é o Senhor dos céus e da terra, e não habita em santuários feitos por mãos humanas. Ele não é servido por mãos de homens, como se necessitasse de algo, porque ele mesmo dá a todos a vida, o fôlego e as demais coisas”.
Em muitos cultos evangélicos é comum ouvir o povo agradecer a Deus por estar reunido na “casa do Senhor”. A idéia particular dos crentes até existe nas Escrituras, só que não no cristianismo do Novo Testamento. Havia um tabernáculo e um templo no Antigo Testamento. Mas Jesus mudou o enfoque, afirmando que Deus não está restrito a templos. A verdade é que Deus não habita no prédio da igreja! Em João 4, a mulher samaritana queria saber se Deus dava prioridade a Jerusalém ou a Samaria como “casa de Deus”. Jesus deixa claro que a adoração deve ser em espírito e em verdade (Jo 4.23). O Novo Testamento, ao contrário dos crentes, ensina que a casa de Deus somos nós, onde o Espírito Santo habita. Em 1 Pedro 2.5 descobrimos que somos “as pedras vivas” e “a casa espiritual”.
Outra tradição evangélica, que assusta até descrentes, é que para Deus “não há pecadinho nem pecadão”. Todos os pecados são iguais para Deus! É possível imaginar que um canibal e um pedófilo assassino sejam equiparados a quem não ora sem cessar (1Ts 5.17)? É absurdo! É provável que a má interpretação tenha surgido de Tiago 2.10, que afirma que “quem tropeça num só ponto da lei é culpado de todos”. Na verdade, o texto apenas nos mostra que apenas um pecado é suficiente para nos deixar numa condição de pecadores perante Deus. Como Deus é santo, um simples pecado nos classifica como condenáveis. No entanto, isso não quer dizer que todos os pecados são iguais. Em João 19.11, Jesus diz a Pilatos que aquele que o havia entregado a Pilatos tinha “maior pecado”. O texto é explícito! A própria Bíblia faz diferença entre pecado e abominação (algo detestável, repugnante), como vemos em Levítico 18.22.

ERROS “INOFENSIVOS”

No quadro de avisos de alguns templos evangélicos não é difícil encontrar a seguinte frase: “Muita oração, muito poder; pouca oração, pouco poder”. Apesar do impacto do refrão, devemos perguntar: “Onde vemos isso na Bíblia”? Poderíamos fazer um gráfico estatístico e matemático da oração e estabelecer sua performance? É irônico. Jonas, o profeta que foi usado para trazer o despertamento de Nínive, aparentemente não fez nenhuma oração! Deus é soberano! Ele faz como quer. Certamente, muitos irão dizer que nosso padrão deve ser Elias. Jonas é exceção! Voltemos à Bíblia. Desde quando as orações de Elias funcionaram pela quantidade? Jesus criticou a repetição de orações (Mt 6.7), e em Tiago 5, onde Elias é mencionado, sua oração não é “muita”, mas fervorosa (v. 17). O texto enfatiza que a oração que funciona é a de um “justo” (v. 16), e isso não tem a ver com “quantidade”.
Estes são apenas alguns exemplos de tradições evangélicas não fundamentadas nas Escrituras. O problema é que esses erros “inofensivos” acabam nos afastando do que importa e nos levando a perder tempo com coisas desnecessárias e secundárias. Temos a doutrina do sábado, da gravata, do paletó, da unção etc. Corremos o risco de criarmos tradições humanas que tomam o lugar da Palavra de Deus (Mc 7.9). Hoje, quando se fala em cristão evangélico, imaginamos que se trata de uma pessoa sem vícios, que não bebe, não fuma, não dança, não joga etc. Ora, ninguém precisa ser cristão para viver assim. Há ateus que não fumam nem bebem. Isso não é questão de espiritualidade, mas sim de inteligência! Estamos criando uma caricatura do Evangelho. Ao contrário, Deus deseja pessoas salvas por Cristo, misericordiosas, justas, incorruptíveis, dispostas a perdoar e capazes de amar.
Parece que os profetas enfrentaram algo semelhante em sua época. Ainda hoje, as santas palavras de Miquéias ecoam bem alto: “Com que eu poderia comparecer diante do Senhor e curvar-me perante o Deus exaltado? Deveria oferecer holocaustos de bezerros de um ano? Ficaria o Senhor satisfeito com milhares de carneiros, com dez mil ribeiros de azeite? Devo oferecer o meu filho mais velho por causa da minha transgressão, o fruto do meu corpo por causa do pecado que eu cometi? Ele mostrou a você, ó homem, o que é bom e o que o Senhor exige: pratique a justiça, ame a fidelidade e ande humildemente com o seu Deus” (Mq 6.6-8–NVI)

Fonte: Revista Enfoque

terça-feira, 10 de junho de 2014

IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS : UMA FÁBRICA DE HERESIAS

Quando penso que mais nada poderia ser inventado, eis que a Igreja do Bispo Edir Macedo, surge com mais uma novidade. Isso mesmo, Para nossa tristeza, eis que surge retumbante no cenário neopentecostal o "contrato da fé"
Sinceramente eu não sei aonde vamos parar! Quanta bobagem, quanta heresia, quanto falso ensino tem sido propagado por essa pseudoigreja.
Ora, antes que alguém me apedreje pela minha afimação acima, julgo que seja importante afirmar que bem sei que dentro da Igreja Universal existem pessoas que foram salvas SOBERANAMENTE por Cristo. Todavia, apesar de crer nessa premissa, isso não significa dizer que acredite que a IURD seja uma instituição divina. Na verdade, como já escrevi anteriormente acredito piamente que a Igreja Universal do Reino de Deus não seja uma igreja cristã e sim uma seita. (leia aqui). Noutra ocasião, expliquei os motivos porque acredito que IURD não possa ser considerada uma Igreja Evangélica. (Leia aqui)
Diante do exposto, resta-me dizer àqueles que se dizem cristãos e que frequentam seus templos que saiam de lá e procure IMEDIATAMENTE uma Igreja séria que pregue nada mais, nada menos do que o evangelho.
Com lágrimas nos olhos,
Renato Vargens
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terça-feira, 3 de junho de 2014

ACHARAM QUE SERIA MAIS UM PEDIDO DE ESMOLA


Um homem sujo, solitário aparece em um terminal de ônibus segurando uma placa pedindo um abraço. As pessoas passam por ele e nada acontece, sozinho, esquecido pela sociedade ele segue mostrando a placa esperando que alguém lhe ofereça atenção. O mesmo homem sobe em um ônibus e começa a dizer aos passageiros que não deseja dinheiro, mas sim um abraço. O discurso é emocionante, mas ninguém se aproxima dele para abraçá-lo. Mas…Independente de qualquer religião, o importante é ser útil enquanto há vida e compartilhar o bem com outras pessoas! Com tanta maldade o mundo está carente disso, de pessoas assim… Faça a diferença você mesmo! 
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sábado, 17 de maio de 2014

POR QUE DEVO IR A IGREJA ?




Recebi esse email de alguém, achei interessante e resolvi publicá-lo no meu blog.

Um freqüentador de igreja escreveu para o editor de um jornal e reclamou, dizendo que não fazia sentido ir à igreja todos os domingos.

"Eu tenho ido à igreja por 30 anos" - ele escreveu - "e durante todo este tempo eu ouvi uns 3.000 sermões...mas, acredite se quiser, não consigo me lembrar de nenhuma das pregações feitas...Assim, penso que estou perdendo o meu tempo e os padres e pastores também estão desperdiçando o tempo deles pregando sermões!".

Esta carta iniciou uma grande controvérsia na coluna "Cartas do Editor", para prazer do editor-chefe do jornal. Isso durou várias semanas - durante as quais o assunto continuou a ser debatido - até que alguém escreveu o seguinte:

"Eu estou casado já há 30 anos. Durante este tempo a minha esposa deve ter cozinhado umas 32.000 refeições. Mas, pode acreditar, eu não consigo me lembrar do cardápio exato de nenhuma delas. Mas de uma coisa eu sei, todas elas me nutriram e me deram a força que eu precisava para poder exercer o meu trabalho. Se a minha esposa não tivesse me dado estas refeições, eu estaria hoje fisicamente morto. Da mesma forma, se eu não tivesse ido à igreja para alimentar a minha alma com o alimento espiritual da Palavra, hoje eu estaria morto espiritualmente".

Abraços,

Carlos Augusto Vailatti

sexta-feira, 16 de maio de 2014

AS CONFISSÕES DE UM ATEU SINCERO (FINAL)

IGREJA BATISTA REDENÇÃO


As pessoas que acreditam em Deus dizem que os ateus são ou pessoas infelizes ou gente má. Dizem que são infelizes porque não há felicidade sem Deus. Dizem que são más porque quem não crê em Deus não tem temor dele e aí acaba praticando perversidades. Discordo plenamente desses pareceres. Eu sou ateu e não sou uma pessoa má. Na verdade, sem querer me enaltecer, acho que sou melhor do que muitos cristãos. Se bem que devo reconhecer que há muita gente que se diz cristã e vive bem longe dos ensinos de Jesus. O Luiz (aquele meu colega de faculdade) chamava essas pessoas de “cristãos nominais”. Agora, sempre que entro numa igreja para assistir a um casamento ou a qualquer outra coisa, penso comigo: “Será que sou um ‘ateu nominal’?” (hehehe).
Voltando ao assunto, tampouco sou um homem infeliz. O que tem acontecido comigo ultimamente é que estou atravessando aquela crise comum às pessoas que beiram os quarenta. Sabem como é... A gente não sente muito entusiasmo. As coisas perdem a graça. As novidades não empolgam tanto como antes. No meio dessa crise também sou acometido eventualmente de um sentimento intenso de angústia. É como se, às vezes, se abrisse um deserto ou um abismo em mim. Não sei explicar. É uma coisa silenciosa, imóvel, uma espécie de paisagem morta que me envolve por dentro. Isso me sobrevém sem aviso, não importa o lugar ou a situação em que eu me encontre. Acontece em festas e velórios; quando estou sozinho ou quando há uma multidão barulhenta ao redor. É bem provável que eu esteja com algum desequilíbrio hormonal. Só pode ser. Já marquei uma consulta médica.
Penso às vezes na hipótese disso tudo ser decorrente também da mesmice em que minha vida caiu. Aos 38 anos, tenho de me desincumbir de sérias responsabilidades e isso gera rotinas entediantes. E não estou falando só do trabalho. Meu casamento também caminha num ritmo moroso em que nós dois não temos mais muita disposição para grandes e vibrantes aventuras. Acho que me casei muito cedo e a fase de paixão impetuosa passou mais depressa do que eu esperava. Creio, assim, que preciso de mais emoção na vida. Será que se eu arrumasse outra mulher...
Nenhuma dessas coisas, porém, pode ser usada para me definir como um homem infeliz. Isso seria um grande exagero. Até porque, acreditem: eu sou um cara bastante divertido. Aliás, nesse ponto vejo também o valor do ateísmo. Eu explico. O ateísmo realmente me proporciona momentos de muito riso e distração, fornecendo o contexto em que eu posso expressar o meu lado “descolado” e brincalhão. Por exemplo, até pouco tempo atrás eu participava de salas de chat entre ateus na Internet e era muito legal quando um fanático religioso se intrometia nas conversas da gente para nos criticar. Como eu ria nessas horas com todas as ironias e “blasfêmias” (Ohhh) que dizíamos para o coitado!
Também por seu ateu, eventualmente me entrego ao luxo de me entreter provocando pessoas religiosas que conheço (especialmente meus alunos adolescentes). Geralmente eu digo a elas: “Se um Deus bom existisse não haveria tanto sofrimento no mundo”. Notem bem: eu nunca liguei para o sofrimento do mundo. Na verdade, confesso que nunca movi uma palha sequer para reduzir o sofrimento de ninguém. Acho que cada um tem sua carga de problemas e defende o seu lado. É a lei da sobrevivência. É desse jeito que eu penso. Mesmo assim, gosto de provocar os fanáticos com esse meu “argumento fatal” sobre Deus e o sofrimento. Acho engraçado vê-los balbuciando tentativas de respostas e ficando nervosos quando assumo um ar zombeteiro para, logo em seguida, menear a cabeça sorrindo. É uma glória pra mim!
O ateísmo também me traz momentos agradáveis por gerar situações inusitadas no meu dia-a-dia. Lembro-me de uma em especial que foi demais! Eu já disse que tenho uma filha de onze anos. O nome dela e Ana Lúcia. Quando ela tinha sete aninhos, uma vizinha crente pediu para levá-la num programa infantil da sua igreja, dizendo que haveria histórias, brincadeiras e lanche. A Lu insistiu muito e nós permitimos que ela fosse. Não demorou muito pra ela chegar em casa carregando um monte de figuras da arca de Noé, de Davi e Golias e de Jesus andando sobre a água. Ela também chegou falando sem parar do que tinha visto na igreja. Ficava cantarolando as músicas que aprendera e repetia pedaços da Bíblia que tinha decorado com a ajuda de uma professora.
Isso me deixou muito preocupado. Então proibi minha filha de voltar e expliquei para ela numa linguagem própria para crianças que religião era coisa perigosa, pois tornava as pessoas preconceituosas, intolerantes e cegas para a realidade. A Lu ficou um pouco triste, mas entendeu e não pediu mais pra ir à igreja.
Depois de algum tempo minha filha me contou que havia uma menina na classe dela que era crente. “Pai” — disse indignada — “Ela disse que acredita em Adão e Eva! Tem que ser muito idiota. Que burra!”. Nós achamos muito engraçado o jeito da Lu falar. Então perguntamos: “E o que você disse pra ela?”. A resposta da Lu foi hilariante: “Eu não briguei. Eu só falei ‘sai capeta!’”. Eu e minha esposa quase morremos de tanto rir.
A Lu é mesmo demais! Eu sou o fã número um dela. Que menininha esperta e perspicaz! E como é linda! Pode parecer piegas, mas não posso deixar de dizer: Ela é a luz da minha vida. Eu a amo tanto que até dói... Está bem, está bem... Eu relutei bastante, mas vou abrir o jogo. Afinal, estou escrevendo algumas confissões. Tenho que ser sincero. Eu tenho um pensamento sobre a Lu que muitas vezes atravessa abruptamente o meu coração provocando uma aflição breve, mas indescritível. Lá vai: A Lu é só matéria. Na melhor das hipóteses ela é apenas um espécimen desenvolvido da família dos primatas.
Nos momentos de maior ternura que vivemos, quando cheio de afeto a observo ocupada com as lições de casa, quando seus olhinhos curiosos se fixam em mim para atender o conselho que digo, quando ela me fala dos seus sonhos, dos seus temores, dos seus probleminhas de criança, quando ela entra em meu escritório com seu pijaminha rosa e me abraça dizendo um “boa noite” mais meigo do que a luz da Lua que então ilumina a janela, esse pensamento horrível, impiedoso e repulsivo sai das sombras e sussurra para mim com voz lúgubre: “A Lu é só matéria; um aglomerado de músculos, nervos e tecidos; só matéria fria e nada mais”.
Um católico me disse certa vez que há um compartimento no inferno reservado somente para ateus. Penso, contudo, que o meu inferno e o de todos os ateus é esse: a visita eventual, involuntária, mas inevitável, aos corredores macabros de uma realidade seca, cinzenta, sem sentido nenhum que, afinal, desemboca no nada. Se existe outro inferno além desse... Não...  Não pode ser... Seria totalmente absurdo. Outro inferno seria o zênite da irracionalidade. Seja como for, se é tolice ou não, tenho que conviver com mais uma incerteza. Se eu estiver certo, quem crê em Deus não perde nada. No final tudo acaba no vazio e pronto. Se, contudo, a verdade estiver com quem crê em Deus, então eu estarei realmente perdido. Eu e a Lu.
Pr. Marcos Granconato
Soli Deo gloria

segunda-feira, 12 de maio de 2014

AS CONFISSÕES DE UM ATEU SINCERO (PARTE 2)


O robustecimento do meu ateísmo nunca foi tão intenso como no tempo em que cursei a faculdade de biologia. Ali eu me sentia em casa, especialmente durante as aulas que destacavam algum aspecto da teoria da evolução das espécies. Eu sei que aceitar o evolucionismo não implica necessariamente ser ateu. Na verdade, na universidade eu conheci muita gente que era fã de Darwin e ainda assim cria em Deus. Contudo, o fato é que o evolucionismo servia, até certo ponto, de apoio lógico e científico para a negação da divindade e isso dava mais garantias ao meu ateísmo, fazendo-me sentir mais convicto. No princípio, essa convicção se mostrou muito forte — mesmo com aquela “voz” dentro de mim ainda sussurrando algumas palavras de vez em quando — e eu sorria contente e seguro cada vez que ouvia os argumentos imbatíveis da ciência em prol do darwinismo.
Essa segurança, porém, pelo que vejo hoje, foi somente uma espécie de entusiasmo infantil — uma vibração tardia própria do adolescente ingênuo que fica boquiaberto diante de descobertas fantásticas e “fatos comprovados”, até perceber que as provas de aço que tanto o encantam não são tão fortes assim. 
Com efeito, meu encanto pelo darwinismo começou a se esfarelar precisamente numa aula da matéria denominada Processos Evolutivos, que tive em meu quarto semestre. Não que essa matéria fosse ruim. Muito pelo contrário. Nosso professor era dinâmico, divertido e dominava muito bem o assunto. Na verdade, o fato de o professor ser tão bom só piorou as coisas pra mim. Bem, seja como for, o que aconteceu ficou restrito a uma aula apenas, mas foi suficiente para gerar um incômodo que persiste em minha mente até hoje.
Ocorreu o seguinte: durante a tal aula, o nosso sábio e brilhante mestre expôs um quadro em que havia diversas figuras de animais conectadas por grandes setas azuis. Essas setas indicavam a sequência do processo evolutivo. Uma delas partia de um peixe e chegava a um lagarto; outra partia desse lagarto e chegava a um rato; outra, ainda, partindo do mesmo lagarto, chegava também a uma ave e assim por diante. O quadro mostrava as setas em várias ramificações e na extremidade de uma dessas ramificações estava a figura de um ser humano.
O objetivo do professor não era explicar o quadro que já era bem familiar até pra quem nunca tinha pisado uma faculdade. Ele apenas o estava usando para se referir à cadeia evolutiva em geral, mesmo porque ficar explicando cada passo dos processos de mutação seria insuportável para qualquer aluno. Assim, sem se deter muito naquele gráfico, ele estava prestes a dar seguimento à matéria quando um colega, o Luiz Carlos, pediu pra fazer uma pergunta. Naquela época, a pergunta que ele fez me pareceu a mais tola de todas que eu já tinha ouvido na faculdade: “O que são essas setas azuis?”.
A classe riu com aquela habitual indiscrição que reina no meio universitário e o professor explicou, suspirando, que as setas, “obviamente”, eram indicadores do curso da evolução biológica. Então o Luiz fez outra pergunta, dessa vez não tão boba: “Não seria melhor que no lugar das setas fossem colocadas figuras de animais em fase de transição? Sei lá... Talvez um peixe com pernas de lagarto ou um lagarto com asas de garça. Note aquela seta que sai da baleia e chega ao hipopótamo. Não deveria haver no lugar da seta um ‘balopótamo’? Afinal de contas, animas assim em mutação devem ter deixado milhares ou até milhões de fósseis, não é? Por que não colocar a figura deles aí em vez das setas?”.
A pergunta tinha sido feita numa linguagem de boteco. Não era nada acadêmica, nem tampouco soava científica ou intelectual, mas devo confessar que ela me fez pensar pela primeira vez em algo que nunca nenhum professor havia ainda explicado: onde estavam os fósseis dos diversos animais que foram deixados no rastro da evolução? Considerando a amplitude desse fenômeno e os milhões de anos ao longo dos quais as mutações se processaram, certamente deveriam existir milhões de fósseis de “balopótamo”, além de “lagarças” e “sapoelhos”.
Segundo imaginei, aquela questão não representaria nenhum problema para o meu professor. Ele tinha grau de doutorado! Sem dúvida, seria fácil pra ele responder uma pergunta tão simples. Ah, que decepção eu tive naquele dia! O professor, não querendo se deter no assunto (não era o tema da aula, dizia ele), afirmou que a ciência ainda não havia descoberto os tais fósseis (nenhum sequer!), mas que era só uma questão de tempo. Por enquanto, disse, tínhamos de nos contentar com as setas azuis. Em outras palavras, nossa crença na evolução estava mais baseada na tarefa de um desenhista de flechinhas do que nas pesquisas de arqueólogos e de outros cientistas renomados!
Tudo isso causou certa comoção na classe. Alguns alunos ficaram irritados com o Luiz, perguntando aonde ele queria chegar com aquelas questões; outros, do tipo dos que gostam de ver o professor em apuros, pressionaram o mestre ainda mais, dizendo a seu modo que se não existiam fósseis de “balopótamos” ou outros do gênero, então a evolução era somente uma proposta criativa e não uma realidade cientificamente comprovada. Afinal —protestavam —, depois de tanto tempo não era para terem achado apenas uma, mas milhares de amostras de animais em transição. 
O professor, visivelmente impaciente, disse que cientistas modernos estavam explicando essas “lacunas no registro fóssil” por meio da teoria de que a evolução se deu aos saltos, sem a necessidade de elos de transição entre ratos e aves, por exemplo. Isso, contudo, só piorou a situação dentro da classe, pois deu a entender a alguns alunos (inclusive eu) que os cientistas se livravam dos seus problemas com a evolução não por meio de pesquisas, mas inventando novas teorias sem nenhum fundamento objetivo. Aí ficava fácil pra eles!
É... o Luiz nunca foi um aluno brilhante, mas reconheço que com um simples peteleco ele fez estremecer a grande muralha que eu usava para proteger meu ateísmo. Eu continuei sendo evolucionista, é claro. Que outra opção eu tenho como ateu? Mas, agora, defendo Darwin com um entusiasmo bem menor. De fato, hoje, como professor de Biologia no colégio, uso quadros bem parecidos com aquele que meu velho mestre expôs naquele dia. São quadros mais bonitos, modernos e benfeitos, mas as setas continuam lá, fazendo ribombar na minha cabeça a pergunta chata daquele aluno medíocre.
Li uma reportagem no site da Time, há cerca de dois anos (em junho de 2012), que dizia que na Coréia do Sul, país detentor do melhor sistema educacional do mundo, a teoria da evolução foi banida dos livros escolares. Será que o Luiz andou fazendo perguntas por lá? Não sei! O que eu sei (descobri mais tarde) é que aquele maldito desmancha-prazeres era cristão (eu devia ter desconfiado!), o tipo de gente que acredita em algo sem nenhuma evidência, só porque está escrito num livro de capa preta. Agora, quando vejo as setas nos meus gráficos, sou forçado a reconhecer que sou um pouco semelhante a ele. Confesso que eu também acredito em certas coisas sem nenhuma evidência, só porque estão escritas em livros... A diferença é que são de capa colorida.
(Continua)
Pr. Marcos Granconato
Soli Deo gloria

sexta-feira, 9 de maio de 2014

CARTA AO APÓSTOLO JUVENAL


[Não se preocupem, o apóstolo Juvenal não existe. Também nunca tive amigo que virou apóstolo. O apóstolo Juvenal é uma personagem fictícia, embora baseada em personagens da vida real.]
Meu caro Juvenal,


Espero que você se lembre de mim, o Augustus Nicodemus, seu colega de turma do seminário presbiteriano (talvez você se lembre pelo apelido "Brutus" que eu odiava...!). Faz uns 20 anos que não temos contato. Só recentemente consegui seu e-mail, com o Mário, nosso amigo comum.


Desculpe não lhe tratar como "apóstolo". Você sabe, desde os tempos do seminário, que minha opinião é que os apóstolos constituíram um grupo único e exclusivo na história da Igreja e que hoje não existem mais. Qual não foi a minha surpresa quando me deparei com seu programa de televisão e com você se apresentando como "apóstolo" Juvenal! Eu não sabia que você tinha deixado o pastorado em nossa denominação, montado uma comunidade e adquirido esse título de "apóstolo", o qual, como já disse, não consigo reconhecer como legítimo.

Você sabe que para nós, cristãos históricos reformados, os apóstolos de Jesus Cristo tiveram um papel crucial e extremamente relevante na fundação da Igreja cristã. É um cargo, um ofício, tão sério e fundamental, que ver pessoas usando esse título nos dias de hoje causa um grande desconforto, uma profunda perplexidade e tristeza inominável. Não consigo imaginar uma banalização maior do que essa. Não que você seja uma pessoa indigna, pífia, pérfida ou mesquinha -- não se trata disso. Eu sentiria a mesma coisa se o próprio Calvino resolvesse usar esse título para si.

Não sei o que se passou por sua cabeça para que você, que conhece a Bíblia e a história da Igreja, resolvesse virar um "apóstolo" e montar sua própria comunidade. Pelo seu programa de televisão, ficou patente para mim que você adotou os cacoetes, o linguajar e as idéias que são próprias dos outros "apóstolos" que já estão por ai há mais tempo que você. Valendo-me da nossa amizade dos tempos de seminário, resolvi escrever-lhe e tirar as dúvidas, perguntar diretamente a você, para não ficar imaginando coisas.


1) Quem foi que lhe conferiu esse status, Juvenal? Refiro-me ao título de "apóstolo". Nas igrejas históricas ninguém toma para si o cargo, a função e o título de diácono, presbítero, pastor. São títulos concedidos por essas igrejas a pessoas que elas reconhecem como vocacionadas e aptas para a função. Não sei quem lhe conferiu esse título de "apóstolo". Ouvi falar que existe um conselho de apóstolos no Brasil, ligado a outros conselhos similares no exterior, que é quem ordena e investe os apóstolos no Brasil. Mas, pergunto, quem ordenou, investiu e autorizou os membros desse conselho de apóstolos? Em algum momento, chegaremos ao ponto em que alguém se autonomeou apóstolo, já que esse título e ofício deixaram de existir na Igreja Cristã desde o século I. Os apóstolos de Cristo não deixaram sucessores que por sua vez fizessem outros sucessores, numa corrente ininterrupta até os dias de hoje. Só quem reivindica isso é o Papa e nós não aceitamos essa reivindicação -- aliás, esse foi um dos motivos da Reforma protestante ter acontecido. Por isso, considero a utilização do título "apóstolo" hoje como uma usurpação, uma apropriação indevida dentro da Igreja de uma função histórica que não mais existe.


2) Fala sério, Juvenal, você acha mesmo que é um apóstolo? Quando você usa esse título para si, você está se igualando aos Doze Apóstolos e a Paulo, ou simplesmente usa o termo no sentido de "enviado, missionário", que é o sentido básico da palavra no grego? Se for nesse último sentido, fico menos consternado. Há outras pessoas na Bíblia que são referidas como apóstolos, além dos Doze e Paulo, como Tiago, irmão do Senhor (Gálatas 1:19; mas veja 1Coríntios 9:5 onde Paulo distingue entre apóstolos e os irmãos do Senhor) e Barnabé (Atos 14.14). O sentido aqui é quase sempre de enviado de igrejas locais, missionário, para usar o termo mais popular. Todavia, esse uso é secundário e desconhecido pelas igrejas modernas. Quando se fala em "apóstolo", as pessoas imediatamente associam o termo a Pedro, Tiago, João, Paulo, etc. Usar o título "apóstolo" hoje é igualar-se a eles ou, no mínimo, causar confusão na mente das pessoas. Você acredita mesmo que é um apóstolo como Paulo, Pedro, João, Mateus, André, Felipe, etc.?


3) Se você acredita, então minha próxima pergunta é essa: você viu Jesus ressurreto? Ele lhe apareceu e lhe comissionou como apóstolo? Pois foi assim que ele fez com os Doze e com Paulo. Todos eles foram chamados diretamente por Jesus e o viram depois da ressurreição. Se você disser que Jesus lhe apareceu e lhe comissionou, pergunto ainda como fica a declaração de Paulo em 1Coríntios 15:8, "e, afinal, depois de todos, [Cristo] foi visto também por mim, como por um nascido fora de tempo"? Ele está defendendo que Jesus apareceu a várias pessoas, depois da ressurreição, e "afinal, depois de todos" apareceu a ele. Literalmente, no grego, Paulo está dizendo que "por último de todos" (eschaton de pantwn) Cristo apareceu a ele. Ou seja, Paulo entendia que a aparição do Cristo ressurreto a ele era a última de uma seqüência. É assim que os cristãos históricos sempre entenderam. Se a condição para ser apóstolo era ter visto Jesus ressurreto, conforme Pedro declarou (Atos 1:22; veja também 1Coríntios 9:1), então Paulo foi o último apóstolo. Desculpe, não creio que Cristo lhe apareceu no corpo da ressurreição. Se você disser que sim, prefiro acreditar em Paulo, de que ele foi o último.


4) Você acha, sinceramente, que usar esse título de alguma forma vai ajudar a Igreja? Em que sentido? Veja só, grandes líderes da Igreja, através de sua história, pessoas que deram contribuições duradouras na área de teologia, missões, social, nunca buscaram esse título. Nem mesmo aqueles grandes homens de Deus que viveram na época imediatamente após os apóstolos e que foram discípulos deles, como Papias e Policarpo. Outros, como Agostinho, Calvino, Lutero, Wesley, Spurgeon, e os grandes missionários como Carey, jamais arrogaram para si essa designação. Se alguém teria esse direito, depois dos apóstolos, seriam eles, e não pessoas como você e outros que se apropriaram desse título, e cuja contribuição para a Igreja cristã é mínima comparada com a contribuição deles.


5) Outra pergunta. Pelo que entendi, você é o fundador e presidente dessa igreja "Igreja Apostólica Global da Misericórdia de Deus". Como você concilia isso com o fato de que os apóstolos de Cristo não se tornaram donos, presidentes, chefes e proprietários das igrejas locais que eles fundaram? Eles eram apóstolos da Igreja de Cristo, da igreja universal, e não de igrejas locais. A autoridade deles era reconhecida por todos os cristãos de todos os lugares. Aonde eles chegavam eram recebidos como emissários de Cristo, com autoridade designada por ele. A prova disso é que os escritos deles, como os Evangelhos e as cartas, foram recebidos por todas as igrejas como Palavra de Deus e autoritativas em matéria de fé e prática, foram organizadas e colecionadas naquilo que hoje conhecemos como o cânon do Novo Testamento. Pergunto, então: quem reconhece sua autoridade como apóstolo? As igrejas cristãs do Brasil ou somente sua igreja local? Seus escritos, seus sermões -- eles são recebidos como Palavra infalível e autoritativa da parte de Deus em todas as igrejas cristãs ou somente na sua igreja local?


6) Juvenal, pelo que me recordo de você, você sempre foi uma pessoa com dificuldades de relacionamento com as autoridades. Lembra daquela suspensão que você pegou no seminário por desacato ao diretor e ao capelão? Para não mencionar as brigas constantes que você tinha em sala de aula com os professores, não por causa dos conteúdos, mas porque você insistia em questionar, às vezes até zombeteiramente, a autoridade deles em sala de aula. Lembrando-me desse traço da sua personalidade e do seu caráter, até que posso entender o motivo pelo qual você resolveu abandonar o sistema conciliar da nossa denominação e fundar uma outra, onde você é o chefe supremo. Imagino que você não presta contas a ninguém da sua conduta, do que ensina e de como usa os recursos financeiros que arrecada. Afinal de contas, acima dos apóstolos só Jesus Cristo, e pelo que sei, ele não emite nada-consta nessas áreas...


7) Uma última pergunta e depois vou lhe deixar em paz. Você faz os mesmos milagres que os apóstolos fizeram? Não me refiro a curas em massa de pessoas que não têm CPF nem endereço e que foram curadas de males internos como enxaqueca, espinhela caída, pressão alta, etc. Refiro-me à curas daquele tipo efetuadas pelos apóstolos de Cristo, de aleijados, surdos, cegos, paralíticos, cujas deformidades, endereço e identidade eram conhecidos das comunidades. Refiro-me às ressurreições de mortos, como a ressurreição de Dorcas feita por Pedro. Você faz esse tipo de sinais? Os apóstolos não fracassaram nunca quando diziam "em nome de Jesus, levanta-te e anda". O índice de sucesso deles era de 100%. E as curas eram instantâneas e completas. Quem era cego voltava a ver completamente, e não em parte. Aleijados voltavam a andar e a pular. Você faz isso, Juvenal? Você se incomodaria em me deixar participar de uma daquelas reuniões de cura que você anuncia em seu programa, para que eu entrevistasse as pessoas que dizem ter sido curadas? Não me leve a mal, mas é que tem muita charlatanice nesse meio, muita gente que é paga para dar testemunho falso de cura, muitos que pensam que foram curados quando no máximo foram sugestionados nesse sentido. Curas reais e autênticas serão assim comprovadas por laudo médico, exames, etc. Não é que eu não creia em milagres hoje. Eu creio, sim, que Deus cura hoje em resposta às orações. Inclusive, eu mesmo já fui curado em resposta às orações. O que eu não creio é que existam hoje pessoas com o dom apostólico de curar simplesmente pelo comando verbal, e de realizar curas imediatas e completas de aleijados, cegos, surdos, paralíticos, doentes mentais, cancerosos, aidéticos, etc. Esse dom fazia parte do equipamento apostólico e servia como "credenciais do apostolado", conforme Paulo declarou aos coríntios (2Coríntios 12:12). Se você não é capaz de fazer os sinais que os apóstolos faziam, não creio que tenha o direito de se chamar de apóstolo.


Bom, não sei se você vai me responder. Fique à vontade. Eu precisava lhe perguntar essas coisas, para não ficar imaginando no coração que você é um mercenário, uma daquelas pessoas que está disposta a tudo para ganhar poder, espaço e dinheiro, mesmo que seja às custas da credulidade do povo brasileiro e em nome de Deus.


Um abraço,

Augustus