RÁDIO GOSPEL

              

 

 

 

 

quarta-feira, 1 de abril de 2015

SE DEUS TEM SEUS ELEITOS , PRA QUE EVANGELIZAR ?

IGREJA BATISTA REDENÇÃO

Se Deus Tem seus Eleitos, pra que Evangelizar?

Prezado irmão Y,
Acho que hoje concluo a resposta às perguntas que você me fez. Conforme observei em sua mensagem, você também tem dúvidas acerca da necessidade do evangelismo (ou mesmo da oração em favor de conversões), caso a doutrina da eleição seja acolhida.
Mais uma vez, devo dizer que você não está sozinho nessas dúvidas. Pode ter certeza de que muitas pessoas estão esperando ansiosamente a resposta a elas para botar ordem no seu conjunto de convicções teológicas.
Bom, quanto ao evangelismo, talvez você se assuste, mas ao longo da história da igreja cristã, a doutrina da eleição tem sido um dos maiores estímulos à pregação do evangelho. O próprio Calvino, expoente mais conhecido dessa doutrina, mantinha em Genebra um trabalho intenso de divulgação do evangelho através da literatura. Ele também mantinha uma academia para formação de pastores, visando ao preparo de expositores da fé. Genebra, ao tempo de Calvino, era talvez o maior centro missionário do mundo. João Calvino enviou ministros até para o Brasil! Foram os primeiros protestantes a chegar aqui.
Observe a vida do maior evangelista que o mundo já viu: George Whitefield. Ele cria ferrenhamente na doutrina da eleição incondicional e, encorajado por ela, superou Charles Wesley em seu ímpeto evangelístico, conforme o parecer de Martin Lloyd-Jones. Whitefield só não é tão conhecido hoje porque, diferente de Wesley, ele nunca fundou um movimento (Wesley fundou o metodismo). Considere também o maior pregador que já existiu: Charles Spurgeon. Ele cria piamente na doutrina da eleição e, por isso, pregava sermões evangelísticos poderosos, sabendo que os eleitos atenderiam à sua mensagem.
Agora, pense um pouquinho no Brasil. Eu já disse que os primeiros pastores que chegaram aqui foram enviados por João Calvino, o grande expoente da doutrina da eleição. Mas tem mais: Você sabia que a primeira igreja indígena brasileira surgiu no século 17 graças aos esforços missionários da Igreja Reformada Holandesa, expoente clássica da doutrina da eleição? Você sabia que João Ferreria de Almeida, o homem que traduziu a Bíblia para a nossa língua, a fim de alcançar o povo de fala portuguesa, era ministro reformado, ou seja, acolhia e ensinava a doutrina da eleição? Tudo isso mostra que, por algum motivo, a aceitação dessa doutrina não inibe o evangelismo, nem a atividade missionária. Em vez disso, a santa eleição estimula essas práticas.
Você deve estar pensando: “Tudo bem, mas como?”. A resposta a isso está, em parte, no livro de Atos. Há outras passagens, mas acho que a de Atos é a mais clara e direta. Eu tenho em mente o episódio em que Paulo se encontra em Corinto, sentindo-se meio assustado com o ambiente da cidade e a oposição que se formou ali (At 18). Então, num dado momento da narrativa, o Senhor estimula o trabalho missionário do apóstolo, dizendo-lhe o seguinte: “Não temas; pelo contrário, fala e não te cales; porquanto eu estou contigo, e ninguém ousará fazer-te mal, pois tenho muito povo nesta cidade (At 18.9,10).
Veja o que acontece aqui: Deus diz que tinha muito povo em Corinto. Eram os eleitos dele que ainda não tinham escutado o evangelho. Então, o Senhor encoraja Paulo mencionando esse fato. É como se dissesse: “Paulo, não desanime em seu trabalho missionário e continue a pregar, pois meus eleitos são muitos aqui”. Desse modo, a eleição, segundo a Bíblia, estimulou o evangelismo, servindo como uma espécie de garantia ao pregador de que, cedo ou tarde, sua mensagem seria acolhida, uma vez que o Senhor tinha muitos eleitos espalhados por ali e eles fatalmente atenderiam à palavra de Cristo (nesse sentido, veja especialmente João 10.16).
Lembre-se: Paulo chamou a fé salvadora de “fé que é dos eleitos” (Tt 1.1). Logo, essa fé será com certeza acolhida por aqueles a quem Deus elegeu por sua graça, sendo esse um dos grandes estímulos à pregação.
Você deve estar pensando: “Mas pra que então pregar? Se em Corinto havia eleitos, eles não creriam de qualquer jeito?”. Resposta: a doutrina da soberania de Deus ensina que o Senhor não escolheu somente QUEM vai ser salvo (os eleitos), mas também COMO esse alguém vai ser salvo. Esse como é descrito em 1Coríntios 1.21: “A Deus aprouve salvar os que creem pela loucura da pregação”. Assim, Deus alcança os que escolheu somente através do evangelismo — tarefa que é dada à igreja.
E da conjugação disso tudo que nos advém tanto o “peso” como o “estímulo” para pregar o evangelho. Sabendo que Deus salva pela pregação, assumimos o peso. Sabendo que Deus tem seus eleitos, recebemos estímulo e vamos em frente.
Bom, você também perguntou sobre orar pela salvação das pessoas, dizendo que, se Deus já decretou tudo, orar é algo inútil. Tudo bem! Entendo a lógica do seu pensamento. O problema é que essa lógica não se aplica aos ensinos bíblicos. Aliás, na Bíblia a lógica é outra, pois os homens de Deus oram pedindo que Deus faça exatamente o que decretou! Em outras palavras: o decreto estimula a oração! Vou exemplificar pra ficar mais claro: Davi orou pedindo que Deus firmasse o seu trono. Ele fez isso assim que Deus revelou seu decreto de lhe firmar o trono! Daniel orou por Israel quando o exílio completou 70 anos, mesmo sabendo que Deus havia decretado que o exílio durasse 70 anos. Finalmente, João, ao saber do plano de Deus referente à volta de Cristo, orou suplicando: “Vem, Senhor Jesus!”.
Como vê, a lógica humana não se encaixa muito na piedade bíblica. Nas Escrituras, os homens de Deus oram pelo cumprimento dos decretos, mesmo sabendo que os decretos se cumprirão! O fato é que, ao que parece, Deus quer que oremos mesmo sabendo que ele decretou todas as coisas para que nos tornemos participantes da realização de seus planos na maravilhosa história da salvação que se desenrola diante dos nossos olhos. É assim que, pela oração, participamos ativamente da redenção de pessoas que eram eleitas e não sabíamos até agora, suplicando com lágrimas por quem o Senhor conheceu, amou e escolheu muito antes de agora.
Abraço fraternal,
Pr. Marcos Granconato
Soli Deo gloria

sábado, 21 de março de 2015

SE JÁ SOU ELEITO MESMO, PRA QUE VIVER EM SANTIDADE ?

IGREJA BATISTA REDENÇÃO

Se já Sou Eleito mesmo, pra que Viver em Santidade?

Por causa do texto que escrevi na semana passada, um leitor me enviou a mensagem abaixo:
Prezado Pr. Marcos:
Eu gostaria de dizer que concordo com o que o senhor escreveu no boletim da semana passada, mas minhas dúvidas são outras.
Tendo em vista a eleição incondicional, qual o ponto chave para que um crente não esfrie seu amor por Deus ou deixe de fazer boas obras por saber que é eleito? Outra coisa: Por que ele se sentiria no dever de evangelizar, se Deus já tem seus eleitos que fatalmente irá salvar? Devo orar para que Deus salve os outros? Será que adiantaria orar por isso se Deus já elegeu os seus? Já que somos eleitos, é necessária a comunhão?
Minha dúvida é nesses pontos, pois parece que a doutrina da eleição deixa os crentes “de mãos atadas”. Não importa o que eu faça, Deus já elegeu os seus, seja para o seu amor ou para a sua ira.
Irmão Y
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Sei que os questionamentos do irmão Y são muito comuns. Por isso, publico aqui a resposta dada a ele também.
Prezado irmão Y:
Obrigado por ter coragem de levantar essas questões. Você não tem ideia de como exatamente essas perguntas incomodam os crentes que aprendem a doutrina da eleição incondicional. Aliás, muitas vezes, os arminianos as fazem para atacar essa doutrina, acreditando ingenuamente que elas são um “xeque-mate” para a teologia bíblica da soberania de Deus na salvação. De antemão, porém, deixe-me tranquilizá-lo. Essas perguntas não são um xeque-mate. Como você verá, elas são apenas os movimentos inofensivos de um peão nas mãos de um aprendiz de xadrez. Vamos por partes.
A figura de alguém que nasceu de novo pela fé em Cristo e passa a vida sem amor por Deus, sem boas obras e sem preocupação com a vida de santidade é uma invenção. Essa figura não existe. Vou explicar por quê.
Note bem: para o arminianismo a fé salvadora é apenas uma decisão humana, algo de origem natural que procede da mente da pessoa, como a decisão de fazer um curso de espanhol ou a opção de acreditar nas histórias contadas por nossos avós. Para eles, a fé salvadora é algo só da gente — uma reação natural, humana e, às vezes, passageira.
Segundo a Bíblia, porém, a fé salvadora não é assim. Ela é uma fé santa, sobrenatural e transformadora, cuja fonte é Deus, sendo ele também quem a concede aos seus eleitos (Jo 6.37,44,65; Ef 2.8; Fp 1.29; Hb12.2). Aliás, seria uma piada acreditar que uma fé dessa natureza pudesse ser gerada pelo depravado e enganoso coração humano (Jr 17.9). Isso seria o mesmo que acreditar que uma fossa produza orquídeas ou que uma lesma possa dar à luz um querubim. Um absurdo!
Pois bem, essa fé santa, segundo a Bíblia, não é somente santa. Ela também é santificadora. Isso significa que ela é dinâmica e atuante, trabalhando na vida de quem a recebeu e produzindo transformações na vida dessa pessoa. Um professor meu dizia que o homem salvo é salvo pela fé somente, mas essa fé somente não é uma fé sozinha. Ela é acompanhada de poder purificador. Assim, o indivíduo que tem essa fé sobrenatural é transformado numa nova criatura (2Co 5.17), sua culpa diante de Deus desaparece (Rm 5.1; 8.1), o amor de Deus passa a ser derramado em seu coração (Rm 5.5), a inclinação do Espírito (uma nova atração e tendência para as coisas santas) passa a ser experimentada por ele (Rm 8.5), o domínio da carne sobre ele começa a se enfraquecer (Rm 6.6; Cl 3.9-10), uma obra de aperfeiçoamento espiritual tem início na vida desse indivíduo (2Co 3.18; Fp 1.6), a iluminação especial do Espírito Santo passa a operar em sua mente, fazendo-o aceitar coisas que antes ele via como absurdas (1Co 2.14-15). Enfim, essa fé muda tudo, não deixando espaço para a hipótese que você levantou de um crente com as mãos atadas para a obra do bem; alguém que passa a vida no chiqueiro do mundo, sem ligar pra nada e pensando: “Já sou eleito mesmo (óinc!)”.
Você deve estar pensando: “Ei, espere um momento! A Bíblia fala de crentes carnais! Pastor, você se esqueceu da igreja de Corinto? Havia ali gente imoral, gente briguenta e até gente que se embriagava durante a ceia? E aí? Cadê a obra santificadora da fé nesses crentes?”.
Opa! Boa pergunta! De fato, os coríntios eram encrenca! E não adianta tentar fugir do problema dizendo que eles não eram crentes de verdade, porque eles eram sim. Paulo chega a dizer que eles eram santificados! (1Co 1.2). Como, então, harmonizar a fé santificadora com a realidade de crentes assim?
Irmão Y, algo muito evidente no Novo Testamento é que a fé salvadora não garante a ausência de períodos temporários de fraqueza. A fé salvadora atua aos poucos na pessoa (2Co 3.18; Fp 1.6). Ela não erradica de uma vez a natureza pecaminosa do crente, nem garante que ele não caia em tentações. No entanto, mesmo em meio a tudo isso, ela continua atuando, impedindo que a pessoa viva no desagrado de Deus por um tempo sem fim. Você sabe quanto tempo durou a carnalidade dos coríntios? Durou mais ou menos três anos (talvez menos). Durante esse tempo, Paulo escreveu três cartas a eles (duas delas nós não temos mais hoje) e enviou dois mensageiros para admoestá-los (Timóteo e Tito). Então, os coríntios se arrependeram e Paulo lhes escreveu uma quarta carta (é a nossa 2Coríntios) elogiando a atitude deles (2Co 7.9-11).
Está vendo? A fé salvadora, ainda que não faça um trabalho de transformação imediata, é sempre atuante. O Espírito que habita naquele que a tem opera no coração dessa pessoa e a incomoda. Então esse indivíduo se arrepende logo e prossegue em sua vida cristã normal. Assim, a figura do eleito do Senhor que pensa “já sou eleito, vou deixar Deus de lado, abandonar meus irmãos e cair na farra” e passa a vida inteira assim é um mito. Aliás, não acredite na conversão de gente que está desviada há dez, vinte ou trinta anos. O crente verdadeiro tem uma fé viva (diferente da fé morta mencionada por Tiago). E essa fé viva produz frutos de santidade, amor e pureza (Mt 13.23). Se em algum momento, isso tudo parecer sumir no crente verdadeiro, essa fase durará pouco, pois o Autor da fé é também seu Consumador (Hb 12.2) e ele fará com que essa fé volte a frutificar bem depressa, como fez em Corinto.
Bom, você também perguntou sobre evangelismo e oração. Sobre isso vou escrever na semana que vem, ok? Meu espaço acabou!
Forte abraço,
Pr. Marcos Granconato
Soli Deo gloria

segunda-feira, 16 de março de 2015

DEUS AMA A TODOS, MAS NÃO SALVA A TODOS !

Recentemente, recebi a seguinte mensagem:
Paz e Graça, Pr. Marcos.
Eu tenho uma dúvida sobre 1Timóteo 2.3-4. O senhor disse certa vez que esse texto significa que Deus realmente quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade.
Entretanto, acho que isso contraria a doutrina da eleição incondicional. Veja a contradição no silogismo abaixo:
1) Deus escolhe os eleitos de acordo com a sua soberana vontade;
2) Deus quer que todos os homens se salvem;
3) Deus escolhe apenas alguns para a salvação.
Conclusão: a vontade de Deus NÃO foi satisfeita. De acordo com esse raciocínio, haveria algo maior que limitaria a vontade de Deus. Logo, parece-me que o único meio de o calvinismo resolver essa questão é dizer que no texto de 1Timóteo 2.3-4 “todos os homens” não significa “todos”. Se significasse, a vontade de Deus seria limitada por algum fator. Que fator seria esse?
Desculpe prolongar-me na pergunta. Aguardo ansioso pela resposta.
Irmão Z
.................
A pergunta do irmão Z circula pela cabeça de muita gente. Por isso, resolvi compartilhar com todos a resposta que enviei para ele:
Prezado irmão Z,
Obrigado por levantar essa importante questão. Espero poder ajudá-lo com o que escrevo a seguir.
De antemão, queria destacar que o silogismo não é a melhor maneira de se fazer teologia. Já usaram bastante esse método no período escolástico (quando tentaram casar teologia com filosofia) e o resultado não foi a obtenção de verdades bíblicas, mas sim um modelo tão distante das Escrituras que foi necessário o advento da Reforma pra tentar resolver um pouco as coisas.
Outra ressalva que quero apresentar é que eu creio sim que Deus quer que todos os homens sejam salvos. No entanto, penso que o texto de 1Timóteo não seria interpretado de forma absurda se entendermos “todos os homens” no sentido expresso nos vv.1-2. Veja com atenção esses versículos, em que Paulo manda orar por “todos os homens” e então dá um exemplo do que tem em mente, dizendo “em favor dos reis...”. Isso mostra que “todos os homens”, nessa passagem, pode sim se referir a classes de homens: reis, governadores, escravos, gentios, judeus... É esse o sentido claro de “todos os homens” no v.2 (aliás, seria impossível orar em favor de cada indivíduo que há no mundo) e pode muito bem ser também o sentido da expressão no v.4.
Mesmo assim, creio que Deus quer que todos os homens sejam salvos. Só estou dizendo que o texto de 1Timóteo 2 não é o melhor texto para se defender isso, como pensam os arminianos.
O que eu disse, porém, leva à questão levantada por seu silogismo. Como se pode conciliar isso com a doutrina da eleição? Vou tentar explicar apresentando uma sequência de verdades:
1. Deus quer que todos os homens se salvem, pois é um Deus de amor infinito;
2. Deus quer também mostrar a sua justa ira sobre a humanidade pecadora — Rm 9.22 (essa parte dos fatos não foi levada em conta no seu silogismo);
3. Para conjugar esses dois anseios, Deus age não com base em suas “inclinações” (somente seu amor ou somente sua ira), mas sim por meio de um decreto eletivo (o beneplácito ou conselho de sua vontade, mencionado em Efésios 1). É aí que sua vontade afetiva cede lugar à sua vontade decretiva;
4. Assim, por meio da eleição, Deus realiza tanto o seu amor infinito como a sua ira justa.
Veja que, para entender isso, é preciso considerar que Deus quer TAMBÉM mostrar sua ira contra o pecado. Os arminianos não entendem (ou não aceitam isso), pois pintam um deus meio papai-noel, que só quer mostrar amor — um deus criado pela mentalidade popular. Eles erram não obedecendo ao que Paulo diz em Romanos 11.22: “Considerai, pois, a bondade e a SEVERIDADE de Deus...”. Note que seu silogismo o deixou numa situação difícil porque você não considerou a severidade de Deus, mas somente sua bondade. Aí se deparou com o dilema de qual fator impede a suposta vontade de Deus de somente salvar. Quando, porém, se olha para o ensino bíblico completo, percebemos que a vontade completa de Deus (que envolve salvar e PUNIR) não foi frustrada. Antes, pela eleição, seu desejo de salvar e seu desejo de punir foram ambos satisfeitos.
Agora, gostaria de olhar para o problema que você apresentou destacando o drama arminiano. Os arminianos insistem que Deus quer que todos sejam salvos e ponto final. O problema é que, obviamente, nem todos são salvos. Aí entra o problema que você levantou: qual é o fator que impede que a vontade de Deus se realize? A resposta arminiana é simples: o “livre arbítrio”, ou seja, a vontade humana impede que a vontade divina se realize. Opa! Você percebe aonde estamos chegando? A vontade humana impede que a vontade divina se realize!
Isso já é de doer, mas os arminianos saem dessa muito facilmente, dizendo: “Deus permite que seja assim porque ele respeita a vontade humana e, por isso, deixa a decisão com o homem”. Opa! Como é que é? Um Deus de amor, cujo único desejo é salvar todos, vê milhões de pessoas tomarem uma decisão que as leva ao inferno eterno e ele as deixa seguir em frente por respeito!!!
Traga isso para nossa experiência humana. Eu vejo uma pessoa tomar a decisão de beber veneno. Então, como eu a amo muito e respeito sua liberdade, eu permito que ela beba. O que você acha? Tudo bem pra você? Sabendo disso, você diria: “Que pessoa fantástica é esse Granconato! Quanto respeito ele tem pela liberdade das pessoas!”. Você diria isso? Ora, por favor! Em vez disso você me perguntaria: “Pastor, por que você não a impediu? Como pôde ser tão indiferente e deixá-la seguir naquela decisão maluca?”. Se eu respondesse que agi assim por amor e respeito você não diria que eu sou louco?
Pois bem, o deus arminiano é assim: ele deseja apenas salvar a todos, mas, por “respeito”, ele permite que milhões tomem o veneno sem fazer nada, deixando tudo para o homem decidir. Quem decidir ter fé, sorte dele. Quem não quiser ou não conseguir ter fé, sinto muito...
Já o Deus bíblico interfere. Ele sabe que os homens, por causa da natureza pecaminosa e da corrupção de seu coração, se forem deixados à mercê de si mesmos, todos optarão por tomar o veneno. Então ele interfere, livrando milhões de pessoas, falando ao coração delas, convencendo-as do perigo, trabalhando docemente em sua vontade, quebrantando sua mente perversa, concendendo-lhes a fé (dom de Deus), chamando-as pelo nome com sua doce voz e conduzindo-as ao Filho.
Por que esse Deus não age assim com todos? Porque ele quer também mostrar sua ira.
Por que ele escolheu a mim para mostrar seu amor e ao meu vizinho para mostrar sua ira? Esse é o abismo da cruz! Nada de bom foi visto em nós. Eis o mistério! É a graça totalmente gratuita. Diante do abismo eu me curvo com uma mente cheia de perguntas (por que ele me escolheu?), mas também com o coração cheio de gratidão (obrigado porque o Senhor me escolheu).
Bem, acho que já escrevi muito. Espero ter ajudado um pouquinho.
Deus o abençoe em sua busca. A teologia da salvação é uma aventura fantástica. Espero que você cresça nesse caminho e vibre com as verdades da graça inescrutável do nosso soberano Deus.
Abraço fraternal,
Pr. Marcos Granconato
Soli Deo gloria

terça-feira, 10 de março de 2015

APRENDENDO COM A BÍBLIA- VOCE ENTENDE ESTE VERSÍCULO (1 Co 3,6) A LETRA MATA

PAUSE  A WEB RÁDIO PARA PODER ASSISTIR O VÍDEO


Cresçam, porém, na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, agora e para sempre! Amém. 2 Pedro 3:18



quinta-feira, 5 de março de 2015

AS SETE IGREJAS DE APOCALIPSE: ÉFESO

As Sete Igrejas de Apocalipse: Éfeso

Dennis Johnson23 de Fevereiro de 2015 - Igreja e Ministério

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Éfeso era o lugar de situação da primeira congregação que Jesus abordou no Apocalipse e o Novo Testamento nos diz mais acerca da história dessa igreja do que acerca de qualquer das demais. Plantada por Paulo durante uma breve visita, essa congregação foi alimentada por Priscila e Áquila, cooperadores de Paulo, e depois pelo eloquente expositor Apolo (Atos 18.19-28). Em seguida, Paulo retornou a Éfeso para um extenso período de ministério (três anos), marcado pela vitória do evangelho e do Espírito de Cristo sobre os poderes demoníacos e os aguerridos interesses comerciais em torno do mundialmente famoso templo de Ártemis que havia na cidade (19.1-41). Depois, despedindo-se dos presbíteros efésios, Paulo os convocou a serem vigilantes em proteger as ovelhas de Deus dos “lobos vorazes” e falsos pastores (20.29-30). Escrevendo da prisão ainda mais tarde, Paulo convocou essa igreja à “unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus”, uma maturidade que os capacitaria a permanecer firmes contra a “artimanha dos homens” e a “astúcia com que induzem ao erro” (Efésios 4.13-14). O apóstolo insistiu para que a igreja exercesse o discernimento teológico: “Ninguém vos engane com palavras vãs” (5.6).
Agora, em sua revelação a João, o Senhor da igreja se identifica como aquele que “conserva na mão direita as sete estrelas e que anda no meio dos sete candeeiros de ouro” (Apocalipse 2.1), governando as suas igrejas e habitando nelas por meio do seu Espírito, à medida que elas mantêm acesa a luz do evangelho em um mundo espiritualmente anoitecido.
Ao andar por entre as suas igrejas, muito do que Jesus vê em Éfeso atrai a sua aprovação. A igreja guardou no coração as advertências de Paulo quanto aos predadores de fora e os enganadores de dentro; por isso, Jesus elogia a igreja por seu discernimento teológico em expor apóstolos fraudulentos (v. 2) e recusar-se a tolerar os nicolaítas, cujo comportamento o próprio Cristo odeia (v. 6). A perspectiva dos nicolaítas, sem dúvida, era bem conhecida das igrejas do primeiro século, mas nós hoje devemos ser cautelosos em descrever o seu erro. A partir da reprovação de Jesus à igreja em Pérgamo (a qual, diferente da igreja efésia, tolerava o seu ensino), nós inferimos que os nicolaítas, assim como Balaão muito tempo antes, seduziam o povo de Deus à prática da imoralidade sexual e aos banquetes idólatras (vv. 14-15).
A recusa dos efésios em tolerar as práticas nicolaítas pode estar relacionada a outra qualidade pela qual Cristo os elogia: por causa do nome de Jesus, eles suportaram o sofrimento, sendo marginalizados em uma cidade na qual a vida econômica era governada pelo crescente turismo religioso e pelo setor bancário, ambos associados ao Templo de Ártemis, assim como pela fama de Éfeso como um centro de artes ocultas (ver Atos 19.19-41). Recusar-se a participar das celebrações pagãs das corporações de ofício de Éfeso e de seu celebrado marco era arriscar-se à ruína financeira, mas esses cristãos estavam “[suportando] provas por causa do [seu] nome” (Apocalipse 2.3).
Contudo, Jesus também encontrou uma falha em sua congregação “valente pela verdade”: “abandonaste o teu primeiro amor” (v. 4). Alguns pensam que o “primeiro amor” do qual Éfeso havia caído era a sua devoção ao próprio Cristo. Todavia, diferentemente das problemáticas igrejas em Pérgamo, Tiatira, Sardes e Laodiceia, a igreja efésia não era culpada de flertar com os inimigos de Cristo nem de esfriar em seu zelo por seu Rei. Faz mais sentido concluir que o “teu primeiro amor”, que havia esmorecido, era o seu amor uns pelos outros. Paulo havia ensinado àquela igreja que a sua saúde enquanto corpos de Cristo dependia de “falar a verdade em amor” (Efésios 4.15). Mas parece que aquele importante qualificador – “em amor” – havia sido menosprezado em sua zelosa defesa da verdade. As suas palavras eram fiéis à Palavra, mas eles estavam falhando em “[voltar] à prática das primeiras obras” (Apocalipse 2.5).
Manter-se firmemente agarrado a ambos os pilares – verdade e amor – é um desafio constante para pecadores redimidos, que oscilam como pêndulos de um extremo a outro. Com muita frequência, igrejas e seus líderes ou permanecem firmes em favor da verdade bíblica de um modo vigoroso, mas sem amor, ou então preservam uma aparente unidade e amor, porém à custa da verdade. Certamente, quando a verdade do evangelho verdadeiramente alcança nosso coração, isso resulta em amor pelos outros; e, do mesmo modo, o amor que agrada a Jesus cresce apenas no solo fértil da fidelidade à verdade divina. A solene ameaça de Jesus de remover o candeeiro efésio – de apagar o testemunho de amor pela verdade daquela congregação em meio à sua comunidade pagã – nos mostra quão seriamente ele considera a sua ordem de unirmos a fidelidade doutrinária à Bíblia ao amor sacrificial pelos santos.
Contudo, a sua palavra final não é de ameaça, mas de promessa. Falando não apenas a uma igreja, mas a todas, ele faz uma promessa “ao vencedor”. Assim, “vencer” o maligno é combinar o compromisso com a verdade de Cristo a um ardente amor por sua família. A esses vencedores, o descendente da mulher, que foi ferido mas venceu, há de abrir o paraíso, dando do fruto da árvore da vida àqueles que falam a verdade em amor (2.7).
Que Deus vos abençoe, boa leituta

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

O Filósofo do Barril

O Filósofo do Barril

Na Grécia Antiga existiu um filósofo chamado Diógenes de Sinope. Ele nasceu por volta de 412 a.C. e morreu em cerca de 323 a.C., em Corinto. Diógenes viveu em Atenas, onde era conhecido como uma figura excêntrica. Ele andava com uma lanterna durante o dia, dizendo que estava procurando um homem sincero ou honesto. Também morava num grande barril (igual ao do Chaves) e geralmente é retratado como um mendigo rodeado de cães. De fato, Diógenes vivia assim para realizar o ideal de uma vida livre de futilidades, valores e luxos inúteis.
Diógenes é definido como um filósofo cínico — o tipo de pensador que rejeitava a moral sexual, o valor das autoridades e a necessidade de instituições como o casamento e o Estado. É claro que, como cristão, sou avesso a essas propostas. Contudo, há uma anedota ligada ao folclore em torno da figura de Diógenes que eu acho muito interessante.
Dizem que um dia (quem conta é Plutarco), o filósofo do barril se viu diante de nada mais nada menos que Alexandre, o Grande. O imperador, vendo o filósofo sentado ao Sol, em completa miséria, disse a ele que lhe pedisse o que quisesse. Diógenes, então, respondeu: “Peço que você não tire o que eu tenho”. Alexandre ficou intrigado e disse algo mais ou menos assim (vou parafrasear): “Mas você não tem nada! Como posso tirar alguma coisa de você?”. O filósofo, enfim, retrucou com clareza: “Eu peço que você não fique entre mim e o Sol”. Em outras palavras: “Alexandre, eu tenho, sim, um pedido: dê um passinho para o lado porque você está atrapalhando o meu banho de Sol”.
Gosto dessa anedota porque fico imaginando a cara do imperador naquela hora. Ele se julgava o dono do mundo, o orgulhoso rei da Terra, o grande soberano que podia conceder tudo que lhe pedissem. Então, Diógenes mostrou um desprezo imenso por tudo que Alexandre tinha e ainda disse que ele o estava atrapalhando ao fazer sombra! Para Alexandre, ficou claro que Diógenes o considerava alguém que não tinha nada importante e que, ainda por cima, era um estorvo!
Na minha cabeça de pregador, é inevitável que uma historieta dessas desperte certas analogias. Penso nos incrédulos que conhecemos; penso nas pessoas do mundo com todo o seu orgulho, passando a imagem de que são realizadas, autossuficientes e donas de si; penso nos homens sem Deus olhando para os crentes e vendo-os como infelizes que não aproveitam a vida, privando-se do que existe de melhor; penso nas ofertas dessa gente de vida podre, que chega perto de nós se julgando superior e supondo que têm tesouros a oferecer... Enfim, penso nos Alexandres de coração triste que querem nos ensinar a ser felizes (hehehe).
Depois, eu penso no cristão e imagino a resposta dele a esses tolos: “Há, sim, uma coisa que eu quero de vocês: se afastem um pouco, pois estão impedindo a passagem da luz. Suas conversas, ideias, brincadeiras e apelos atrapalham o meu desfrute completo do Sol. Eu quero andar plenamente na luz e vocês estão fazendo sombra. Por isso, se quiserem mesmo ser legais, fiquem um pouquinho mais para o lado. Na verdade, se puderem ir embora, seria melhor ainda!”.
De fato, o mundo não tem nada que possa completar nossa paz e alegria. Todas as suas ofertas são mentirosas e, quando aceitas, nos desviam do caminho certo, conduzindo para um abismo horrível ao final. Em Cristo, porém, temos tudo de que precisamos para a real felicidade. Nele e por meio dele obtemos perdão, retidão, vida, paz e satisfação (Jo 7.38; Rm 8.6).
De que mais precisamos? De nada! Por isso, vamos olhar para o mundo com todos os seus atrativos enganosos e repetir como novos Diógenes: “Eu ando na luz e quero permanecer assim. Pare de tentar me fazer sombra!”.
Pr. Marcos Granconato
Soli Deo gloria

domingo, 15 de fevereiro de 2015

LIBERDADE DE EXPRESSÃO

IGREJA BATISTA REDENÇÃO

Liberdade de Expressão

A cada dia que passa, este mundo se afunda mais em confusão moral, política e filosófica. Nesse último aspecto, um dos indícios do caos (pelo menos para mim) foi a forma como, recentemente, a mídia, as autoridades e as celebridades em geral passaram a usar a fórmula “liberdade de expressão”.
Sempre concebi (intuitivamente) o significado dessa fórmula como abrangendo, pelo menos em parte, o desfrute do direito de discordar de alguém — seja na esfera política, religiosa, ética ou filosófica — podendo o indivíduo expressar essa discordância de forma aberta, sem ser punido por isso. Atualmente, porém, essa definição tem de ser reelaborada a fim de abrigar novos elementos, se levarmos em conta o modo como a mídia parece entender agora a tal “liberdade de expressão”.
Notem bem: nos últimos meses, a fórmula “liberdade de expressão” se tornou frequente nos meios de comunicação e na boca das pessoas por causa do assassinato dos cartunistas do jornal satírico francês Charlie Hebdo. Os cartunistas foram fuzilados por radicais islâmicos, em represália às charges que fizeram de Maomé, uma brincadeira que ofendeu os escrúpulos dos muçulmanos.
Os desenhistas do Charlie Hebdo, diga-se de passagem, eram desrespeitosos ao extremo com qualquer religião, inclusive (e talvez de modo mais chocante) o cristianismo. Eles faziam charges blasfemas, geralmente com conteúdo moral bem baixo, sem se importar nem um pouco se estavam ferindo ou não a fé tão cara às pessoas. Ora, como o sentimento religioso é coisa com que não se brinca, quando o desrespeito daqueles desenhistas pela fé se deparou com o desrespeito dos radicais pela vida, deu no que deu: tragédia, dor e morte.
Diante disso, toda a imprensa internacional e as autoridades políticas condenaram (corretamente) o ataque, dizendo (estranhamente) que os desenhistas do Charlie Hebdo tinham direito à “liberdade de expressão”. Foi isso que, além da crueldade da chacina, me causou espanto: a forma como, a partir daqueles episódios, usaram a fórmula “liberdade de expressão”. Como eu disse, antes, essa fórmula parecia significar apenas o desfrute do direito de discordar de alguém abertamente, sem ser punido por isso. Agora, porém, o conceito se expandiu. Pelo jeito, nas cabecinhas pós-modernas, liberdade de expressão é o direito de discordar de alguém desrespeitando suas crenças, ridicularizando suas ações e ferindo seus escrúpulos sem nenhum limite moral!
O problema com essa definição, porém, é que ela não é somente absurda em seu conteúdo. Ela é absurda também no modo como é aplicada, o que exige que seja ainda mais trabalhada. Deixe-me explicar melhor: imagine que uma revista cristã publicasse uma tira ridicularizando os homossexuais. O que a mídia, as autoridades e os intelectuais iriam dizer? Acaso afirmariam que a revista cristã tinha o direito de desfrutar de sua “liberdade de expressão”? É claro que não! Nesse caso, o conceito novo não se aplicaria de jeito nenhum! No lugar dele, nós ouviríamos palavras como “homofobia”, “preconceito”, “ignorância”, “intolerância”, “fanatismo”, etc. Talvez até acusassem a revista de ser nazista, racista, fundamentalista e criminosa. Ações judiciais seriam movidas contra os cartunistas cristãos e isso tudo com a aprovação dos jornais e dos políticos. Também quem fosse visto com um exemplar daquele periódico seria discriminado ou talvez até agredido na rua.
Bom, sendo óbvio que tudo isso aconteceria (alguém duvida?), imagino que mesmo o conceito moderninho de “liberdade de expressão” tem de ser de novo ampliado, ficando ainda mais incongruente. Eu proponho o seguinte: liberdade de expressão é o direito de discordar de alguém desrespeitando suas crenças, ridicularizando suas ações e ferindo seus escrúpulos, desde que essas agressões não ofendam os interesses da mídia e dos homossexuais. Se isso ocorrer, não se falará mais em liberdade de expressão, mas sim em preconceito e ignorância.
Pronto! Agora chegamos ao conceito completo. Todos entenderam? Cartunistas que ridicularizam a Trindade são pessoas de mente aberta e têm o direito de se expressar dessa maneira. Já os cartunistas que ridicularizam o homossexualismo são preconceituosos e devem ser reprimidos.
Que grandes avanços nossa sociedade tem feito na área ética e jurídico-filosófica! Sem um referencial fixo para medir o que é certo, o padrão de justiça criado por quem tem mais poder se torna maleável e amorfo (eles podem inventar, modificar ou mesmo anular o que acham certo) e, pra piorar as coisas, esse padrão melequento é aplicável somente em alguns casos, dependendo da conveniência.
Nós, cristãos, ao contrário disso tudo, cremos que toda liberdade deve ser limitada pelo amor e pela sensibilidade ao que edifica e ao que é apropriado a um seguidor de Jesus. Paulo era livre para comer o que quisesse, mas ele disse que, se o ato de comer carne fizesse com que alguém se entristecesse, ele nunca mais botaria um bife na boca (1Co 8.13). Ele disse que os crentes são livres para fazer tudo, mas que essa liberdade deve ser vivida com sabedoria, levando o bom discípulo a fazer somente o que edifica, o que convém e o que não traz escravidão (1Co 6.12; 10.23).
Assim, a partir das Escrituras, os crentes podem formular um conceito correto, elevado e justo de “liberdade de expressão”. Vou arriscar construir um aqui: liberdade de expressão é o direito de discordar de crenças, ideias e comportamentos sem ser punido por isso, fazendo-o, no entanto, dentro dos limites do amor e da decência (o que pode até envolver o bom humor), tendo como alvo a correção, a edificação e a felicidade das pessoas.
Será que os cartunistas e seus amiguinhos querem mesmo essa liberdade?
Pr. Marcos Granconato
Soli Deo gloria

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

CUIDADO COM QUEM VAI REPRESENTA-LO


Reflexão : Provérbios 26.6,7
“Como cortar o próprio pé ou beber veneno, assim é enviar mensagem pelas mãos do tolo. Como pendem inúteis as pernas do coxo, assim é o provérbio na boca do tolo” (Pv 26.6,7 NVI).
Um amigo meu tinha uma importante reunião em uma empresa a fim de prestar um serviço de vários meses. Pouco antes de sair de casa, ele sofreu um acidente doméstico que o levou ao hospital. Não podendo comparecer à reunião, pediu que seu cunhado o representasse, orientando-o sobre como agir e o que dizer aos diretores da empresa. O cunhado, querendo ser simpático na reunião, fez exatamente o oposto do que deveria, contando piadas em horas indevidas e falando coisas que chocaram os participantes. O resultado foi que meu amigo não conseguiu o serviço que queria. A empresa pensou que a firma do meu amigo se portava do mesmo modo que seu cunhado. A verdade é que ele mandou a pessoa errada para representá-lo diante dos outros.
É bem provável que Salomão conhecesse gente como o cunhado do meu amigo. Por isso, tinha conhecimento suficiente para alertar seus leitores sobre o perigo de “enviar mensagem pelas mãos do tolo”. Portar uma mensagem de outra pessoa é o mesmo que representá-la, razão pela qual essa é uma tarefa de muita importância que exige fidelidade e responsabilidade, qualidades essas que faltam ao tolo. Por isso, o escritor compara o resultado de deixar um tolo por representante “como cortar o próprio pé ou beber veneno”. Cortar o próprio pé é causar um ferimento que trará sofrimento, limitações e incapacidade. Boa parte dos objetivos que a pessoa tinha tem de ser abandonada por falta de um membro tão importante. Tomar veneno é pior ainda porque causa o maior dano que alguém pode infligir ao seu próprio corpo, visto que lhe custa a vida. Do mesmo modo, transferir responsabilidades pessoais para um tolo é abrir a porta para todos os tipos de sofrimento, prejuízos e desgostos.
No versículo seguinte o rei sábio explica a razão de suas duras palavras. Segundo esclarece, “o provérbio na boca do tolo” é como se fossem “as pernas do coxo”, as quais “pendem inúteis”. Isso revela a nulidade do ensino sábio na vida daquele que despreza a sabedoria e que teima em permanecer na insensatez. Assim como a perna do coxo é inútil para ele, a sabedoria é inútil para o tolo que a rejeita. Por isso mesmo, ele é a última pessoa que deve servir de representante para outros ou assumir responsabilidades alheias. Tome muito cuidado com quem você conta para lhe servir de suporte e para dividir seus encargos. Os atos de um tolo que age em seu lugar irão refletir diretamente sobre você como se fosse tão insensato quanto seu representante. É melhor fazer algo sozinho que com a ajuda de alguém que, na verdade, mais atrapalha.
Pr. Thomas Tronco